Das últimas duas semanas:
Ergo-me aqui, um hoje alto, futurista.
Deste antevôo, derroto a vertigem vazia.
As gaivotas surgem, como que proclamando,
e a vitória é delas o bater das asas.
Desafio a amurada. Sorvo-a até ao fim.
O fundo da chávena são grãos de amor,
e as gaivotas mergulham, debicando.
Esta reciclagem é a higiene do sonho.
Purificaram o rio. As fábricas tiveram greves.
Os despojos da mentira foram coados primeiro.
A mágoa não cabe no balde, afoga-se pelo poço.
A água sabe a cristalina, o seixo a medicina.
Há uma enorme pureza na ilusão colectiva.
Porém, a massagem é duas -
o espelho rachou de real, e é-o por fim realmente.
Numa delas, a mão que não está está aberta,
e no seu centro a dádiva dos sentidos;
na outra, a mesma, há só nada, um punho fechado
cujos tendões dormem a vida estendida.
O passageiro estremece o comboio no sobressalto de si.
A ponte está para trás e a travessia ruiu.
Junto à bagagem ninguém lhe deita a mão.
O impulso desiste antes de um cadeado.
A chave da confiança aguarda perdida num bolso,
mas os dedos têm sono de saber em qual deles.
Rasgou-se-lhes o sorriso no arame farpado.
Saltaram a cerca e fugiram, de pontas e dôr a abanar.
Brincaram às cicatrizes cá fora, num pátio
que não era um jardim, tão pouco uma selva,
e sim uma espécie de mistério pantanoso.
Ao pegajoso passado que tanto exaspero
brado hoje um simples hurra, estaca zero,
apoiado na alma calma e ciente,
expectante apenas vagarosamente.
A plenitude de sentir está ali, à minha espera.
Sei-o das rãs que chapinham nos charcos
que por esta torpe paisagem passam barcos
capazes de atravessá-la e à quimera.
A um golpe de leme dá-se a guinada
da contemplação perante a alvorada.
As antigas braçadas tristes e inúteis
iluminam-se douradas, aladas, quase úteis
formas de ser, de estar e de abraçar
nestas palavras, sons dos pensamentos,
a minha própria forma de observar
o que exterior me apazigua sentimentos.
E até que alguém me interrompa num silêncio desigual,
a prolífica ilusão de traçar vida virtual
será um vago sorriso, emoção vaga mas real;
até que me empurrem de ameias, do môrno calor,
até que a areia ceda às ondas, à espuma de dôr,
beberei tragos altivos de paz com gotas de Amôr.
artigos de excursões sem fim nem princípio, no algo enevoado horizonte do Não, o desprezo do típico como inegável paixão..
Mais distensões de mim:
Outros que tais:
um Abade às Fatias
, the bittersweet cherry flavour
, sobreposições no cenário-Hugo
not your average Lady , Scriptum Tremens , um ser buscando ser , Roman Veli
not your average Lady , Scriptum Tremens , um ser buscando ser , Roman Veli
terça-feira, janeiro 30, 2007
quinta-feira, janeiro 25, 2007
Vão vendo estas minhas páginas passadas, pretendo actualizá-las mais vezes nos próximos tempos. D'anteontem:
Esvai-se-me a palavra perante a verdade da folha branca. Estou-me a sentir mal no meio desta gente toda. Sua paz é seus ritos urbanos, e a confiança simples de ser.
Assenta em mim também uma paz triste, com que olho a passagem geral. Vejo não só a distância de mim para com todos, mas sobretudo o quão distante estou de ela mesma. É como se um espectro meu se houvesse despegado de mim, e soubesse de antemão a vida do fundo do tapete rolante que actualmente me leva. Como se o estímulo de haver gente em redor, a breve oportunidade de entabular em interacções promissoramente espontâneas, ainda que fugazes, se diluisse numa excepcionalmente recuada maré, hoje não por acção da Lua ou do Medo, mas dada a claridade com que vi para lá dela, dada a nitidez da provável insignificância de qualquer troca de palavras que me venha à imaginação, qualquer aproximação ao entendimento que efectivamente consiga, e dada a transparência do desalinho maior por trás disso.
Observo como rendido e submisso me perco mais do mundo para me poder encontrar a mim, a sós. À medida que saram as metáforas, dou comigo objectivamente mais distinto, mais estranho a eles, e com menos disposição para mentiras e para verdades. Coagulo em silêncio.
Esvai-se-me a palavra perante a verdade da folha branca. Estou-me a sentir mal no meio desta gente toda. Sua paz é seus ritos urbanos, e a confiança simples de ser.
Assenta em mim também uma paz triste, com que olho a passagem geral. Vejo não só a distância de mim para com todos, mas sobretudo o quão distante estou de ela mesma. É como se um espectro meu se houvesse despegado de mim, e soubesse de antemão a vida do fundo do tapete rolante que actualmente me leva. Como se o estímulo de haver gente em redor, a breve oportunidade de entabular em interacções promissoramente espontâneas, ainda que fugazes, se diluisse numa excepcionalmente recuada maré, hoje não por acção da Lua ou do Medo, mas dada a claridade com que vi para lá dela, dada a nitidez da provável insignificância de qualquer troca de palavras que me venha à imaginação, qualquer aproximação ao entendimento que efectivamente consiga, e dada a transparência do desalinho maior por trás disso.
Observo como rendido e submisso me perco mais do mundo para me poder encontrar a mim, a sós. À medida que saram as metáforas, dou comigo objectivamente mais distinto, mais estranho a eles, e com menos disposição para mentiras e para verdades. Coagulo em silêncio.
quarta-feira, janeiro 10, 2007
Chegado aqui, o remo é ilúcido. Conturbada pela correnteza, a quilha de murmúrios resvala por fim nos areais. A crista trazida é a mística desfeita, um rombo de dispersão frugal. Lamacentos, os desígnios são agora imposições já nada camufladas, percurso entediante de bote até uma costa. Imponente, a física do barco é as linhas esbatidas ao longe, infraestrutura sem prédio. Tal construção abandonada faz lembrar a incapacidade, destruídos (incompletos) a um mal menor, insignificante. Já a significação dorme estendida às memórias rubras que anoitecem, restando só o incompleto da queimadura, o peso invísivel de as cargas se afundarem. Ciclo empoleirado na gaiola total, a gaivota da passagem anuncia-se de novo, aérea, superior. Algumas das suas penas bóiam serenas (fatídicas) no charco de estar.
Fui hoje algum mistério na Arte, mas não Ela, mas não Mais. A intriga das linhas potenciou alguma visão, algum chamamento devidamente tributado (medições alheias), mas pouco enfrentei o proveito, pouco atravessei o remoinho. Os nós dados assentaram consigo a corda, foram lacra pronta em envelopes de unção, sacramento da dissertação como tal. A insuficiência decalcou pouca a tangibilidade do novo, salão de espelhos a coordenar o concêntrico dos caminhos, cartas prescritas (pois citações) atiradas ao mar-reflexo, sua extensão algo passiva e limites.
Natural, sento-me numa escada à beira-mar, humana e de pedra, e adormeço enconstado aos degraus, que vagos sobem e descem ao ritmo distante da maré próxima.
Fui hoje algum mistério na Arte, mas não Ela, mas não Mais. A intriga das linhas potenciou alguma visão, algum chamamento devidamente tributado (medições alheias), mas pouco enfrentei o proveito, pouco atravessei o remoinho. Os nós dados assentaram consigo a corda, foram lacra pronta em envelopes de unção, sacramento da dissertação como tal. A insuficiência decalcou pouca a tangibilidade do novo, salão de espelhos a coordenar o concêntrico dos caminhos, cartas prescritas (pois citações) atiradas ao mar-reflexo, sua extensão algo passiva e limites.
Natural, sento-me numa escada à beira-mar, humana e de pedra, e adormeço enconstado aos degraus, que vagos sobem e descem ao ritmo distante da maré próxima.
terça-feira, janeiro 09, 2007
Perseguidos pela não-Arte, os fotões circunscritos clareiam-se aguerridos de precipitação. Baralha-se o gesto sistémico, confuso por entre os naipes da fricção e do ouvido. Clareira intermitente, o espaço é também observação, eco, e surdina, principalmente surdina, transiente reduto com uma noção patética. Misto de solene (holofote no tecto de imaginação) com temível e silente (pedra e entulho do fundamental pilar amontoado), a demasia local, preâmbulo em recuperações recorrentes, imensamente intencionais, de haver entre as capas. Em contra-partida, os carris libertam-se da guinada por projecto baço, antigo e rasteiro, nada que a hora dos terramotos não abale científica. Curvas, as tragédias estudam o artifício romanceado de se serem, ruído na conversa-carruagem, fixo trilho alternado da pouca inventividade. Cede porém o flagelo do conformismo, sempre, à alusão camuflada de pombo-correio, à simpatia do concurso enquanto desfecho, e a sinceridade destina à Mulher todas as Mulheres a mensagem impossível de um sorriso. A Verdade aguarda que, não turvas de periferia, as águas da realidade reflictam a leitura respeitante, flutuando nela. Ondulações, a legislação harmoniza-se paciente num decreto convergente e derradeiro.
segunda-feira, janeiro 01, 2007
Pelas áleas do espaço e pelas áleas do tempo,
caminho para amanhã numa procura do hoje.
Perco-me na rota e perco-me no descaminho.
Sou um altar à quimera na paciência do sítio.
Dou-me ao circundante como me dou a ninguém.
A oferta desaparece junto à casualidade.
Despeço-me de tudo, e despeço-me de todos.
Ecoa todo o silêncio onde o ruído não é comigo.
caminho para amanhã numa procura do hoje.
Perco-me na rota e perco-me no descaminho.
Sou um altar à quimera na paciência do sítio.
Dou-me ao circundante como me dou a ninguém.
A oferta desaparece junto à casualidade.
Despeço-me de tudo, e despeço-me de todos.
Ecoa todo o silêncio onde o ruído não é comigo.
Despejo-me para a comida, hoje rebordo prenhe de fomes. A distensão tacteia o sal do cajú, ânsia na pele, aquela que é, no cérebro, desocupação. De encontro à mão estendida, o fundo do prato, a tela impenetrável escorrendo as tintas do inicial, o pincel num coma que se aprofundou. Em cada vez mais electricidade, o parto submerso na tisana de sempre dá-se efervescente pelo abismo, mas só a verbalização do espelho inciente (turvo por reflexos) é as folhas aromáticas a boiar suadas. A banalidade da impressão digital afugenta o monoteísmo do vôo, traçado no intermitente que lembra agora a nuvem, disperso esboço de viagem. Refulgem, por sob a ponta física da aproximação abstracta e intuída, as anulações em branco total, que alguém inferirá húmido ou fino. Durmo o mundo em mil gestos, sonambulismo recortado às artísticas veias do azul-céu, conjuntura prescrita de intenção, e ainda assim tangente à óptica, intrigas esculpidas no fractal de poros. Flébil tesoura, estendo a estampa na farsa primaveril. A punctura, agulha sozinha, é a noção de se ser discípulo da rotação. No centro do horizonte, realidade vária, vértebras são espalhadas por um tornado, leitos os terrenos dispostos em distância presencial. Sem ortopedia, a vontade é absorta - rito, dôr, e sequência (outra vez a hipótese).
Subscrever:
Mensagens (Atom)